O livro de cantares, apesar de ser um dos menos lidos e usados para pregação, é um dos livros mais lindos da Bíblia, pois trata-se de uma declaração de amor de um homem pela sua amada e vice-versa, representando o amor de cristo por sua noiva (a Igreja).
O conteúdo deste livro foi objecto de reflexão enquanto eu avaliava por que, situações pelas quais já oramos e repreendemos, como por exemplo determinados tipos de sonhos, parecem voltar de tempos em tempos, aí vem os questionamentos: será que não temos orado o suficiente? será que não temos tirado tempo de qualidade para buscar a Deus por meio da leitura da sua palavra? Em suma muitos serás…! Até que me foi dada a conhecer uma expressão que nunca antes havia lido ou prestado atenção no livro de cantares:
“Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor” Cantares 2:15.
Buscando perceber esta passagem e sua conexão com esta inquietação, percebi que havia um modus operandi… “Quando as videiras começavam a florescer as raposas apareciam para destruí-las e desse modo comprometiam a produção” …, mas por que Salomão (autor de cantares) instrui especificamente para que se apanhe as raposas e as raposinhas?... as raposas pegavam nas suas crias e as escondiam por baixo das folhas por onde ficavam camufladas, os caçadores corriam atras das raposas e eliminavam as maiores e quando achavam que o risco já havia passado, voltavam ao vinhal e percebiam que as raposinhas haviam destruído o que havia sobrado enquanto os caçadores se ocupavam das raposas maiores, dai a necessidade de se focarem e se empenharem em caçar e eliminar não apenas as raposas maiores, mas também as raposinhas.
Este modus operandi, levou ao seguinte entendimento, Jesus diz que ele é o tronco da videira e nos somos os ramos, as raposas e raposinhas representam o pecado na nossa vida, que se não for combatido pode nos arrancar do tronco, nos impedindo de florescer e dar frutos, no entanto muitas vezes nos concentramos apenas em combater os pecados maiores (raposas), não matar, não roubar, não se prostituir e negligenciamos os que consideramos pecados pequenos (raposinhas), os quais nos podem causar maior destruição, pois achamos que são inofensivos… “não estou a trair, só mandei um olá no Facebook” ou “ não é fofoca, estou apenas a falar de algo que aconteceu”, “já não sou amante dele, apenas aceitei o dinheiro dele porque eu estava precisar e ele ofereceu”, “foi só uma mentirinha ninguém saiu prejudicado”…. Um pequeno mau hábito alimentado, se não vigiarmos pode se tornar um grande pecado e abrir uma grande brecha para o inimigo se introduzir e nos arrancar do tronco onde devemos permanecer para dar frutos.
Daí o motivo pelo qual certos ataques ou desafios em nossa vida espiritual parecem ser recorrentes, devemos cuidar para que nossos pequenos defeitos não nos façam retornar a condição de grandes pecadores.
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